História é um assunto
nebuloso, por todas as merdas que acabam incluídas mais tarde. Mas,
mesmo sem podermos ter certeza nenhuma sobre a “história”, parece
bastante sensato imaginar que, vez ou outra, a energia de uma geração
inteira atinge seu ápice num instante magnífico e duradouro, por motivos
que na época ninguém compreende por inteiro – e que, em retrospecto
nunca explicam o que realmente aconteceu.
Minha
principal lembrança daquela época parece se estender por uma, cinco ou
talvez quarenta noites – ou inícios de manhã – quando eu saía do
Fillmore meio alucinado, e em vez de ir para casa,
corria a quase 160 por hora pela Bay Bridge com minha enorme 650
Lightning, usando bermudas L.L. Bean e um casaco de lã da Butte... voava
pelo túnel da Treasure Island sob as luzes de Oakland, Berkeley e
Richmond, sem saber direito qual saída pegar quando chegava na outra
ponta (sempre empacava no pedágio, alucinado demais para me controlar
enquanto procurava dinheiro trocado)... mas sempre absolutamente seguro
de que, não importava a direção que tomasse, acabaria chegando a algum
lugar que conheceria pessoas tão chapadas e enlouquecidas quanto eu.
Disso não se podia duvidar...
Havia
loucura rolando por todos os lados, a qualquer hora. Se não estivesse
rolando do outro lado da baía, estava rolando depois da Golden Gate ou
descendo a 101 até Los Altos ou La Honda... Era possível ficar louco em
qualquer lugar. Todos compartilhavam de uma sensação fantástica de que
estávamos fazendo algo correto, mesmo sem saber o que era... sentíamos que estávamos vencendo...
E
acho que essa foi a armadilha – essa sensação de vitória inevitável
sobre as forças do Antigo e do Maligno. Não num sentido cruel ou
militar;não precisávamos disso. Nossa energia simplesmente prevaleceria.
Lutar não fazia sentido – tanto do nosso lado como no deles. Aquela era
nossa hora; estávamos na crista de uma onda imensa e linda...
E
agora, menos de cinco anos mais tarde, basta subir um morro íngreme em
Las Vegas e olhar para o Oeste com a predisposição adequada para quase enxergar a marca da maré – o lugar onde aquela onda enfim quebrou e se retraiu.
Medo e Delírio em Las Vegas - Hunter S. Thompson
Orgasmo é pouco.
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